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Desenvolvedores de Projetos de SBN: tudo sobre o segmento 10 de 12

Updated: Sep 25, 2023


Bem-vindo de volta ao NatureHub - Catalisando uma comunidade na interseção entre as soluções baseadas na natureza (SBN), investimentos, e inovação digital 🍃 🤖

Já estruturamos mais de 400 organizações SBN em uma cadeia de valor que possui 12 segmentos, hoje apresentamos o décimo segmento - Desenvolvedores de Projetos de SBN 🧩

Neste post vamos apresentar:

  1. Quem representa este segmento da cadeia de valor das SBN?

  2. Quais são as principais conclusões sobre esse segmento no banco de dados?

  3. Visão da especialista - Um papo rápido com Valmir Ortega, CEO & Fundador @ Belterra

Recomendamos que você acesse esse link e preencha o formulário de inscrição gratuita do banco de dados NatureHub para complementar a leitura abaixo 🌐


 

1. Quem representa este segmento da cadeia de valor das SBN?



Esse novo segmento da cadeia de valor, os desenvolvedores de projetos de SBN, representa uma parte fundamental que conecta finanças e conhecimento especializado com fazendas de pequenos agricultores ou equipes que implementam soluções baseadas na natureza em todo o mundo.


O relatório 2022 State of Finance for Nature, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, destacou que o investimento na natureza precisaria dobrar até 2025 (investimento atual de US$154bn) para que os objetivos de aquecimento global sejam alcançados. O relatório pede que os investidores privados aumentem suas contribuições (atualmente, 17% do investimento total), mas muitas vezes é mais fácil falar do que fazer.


Atualmente, muitos investidores são relativamente novos no espaço natural e não têm um histórico ou uma equipe experiente para tornar a execução do negócio mais autônoma.

Embora o mercado esteja testemunhando o surgimento de projetos de SBN sofisticados, tecnológicos e apoiados por private equity, com metas de restauração de vários milhões de hectares, a maior parte do mercado continua a ser composta por um grupo fragmentado de implementadores de pequenos agricultores. Como resultado, isso cria desafios para identificar, avaliar, capacitar e desenvolver relacionamentos de longo prazo com foco na sustentabilidade ambiental e financeira. Muitos projetos de SBN também não têm experiência na preparação de dados de impacto e finanças para análise de terceiros.


Além disso, os desenvolvedores de projetos precisam desempenhar papéis importantes como: encontrar projetos de SBN, desenvolver relações de confiança com projetos de SBN e fazerem a comunicação entre projetos de SBN e investidores. Grande parte do mundo das soluções baseadas na natureza é off-line e em localizações remotas, não acessível por pesquisas no Google ou mensagens diretas no Linkedin. Os atores da vertical de instituições das SBN observaram e entendem a dificuldade dessa função e se esforçaram para desenvolver relacionamentos próximos com especialistas em desenvolvimento de projetos.


No Brasil, tanto a Sistemica quanto a CarboNext receberam investimentos significativos de novos parceiros, o BTG Pactual e a Shell, respectivamente. Da mesma forma, o Fundo Vale desempenhou um papel importante ao fornecer à Belterra os recursos para ampliar suas soluções agroflorestais.


Embora existam outros atores na vertical de facilitadores de investimento, como soluções de crédito de carbono e SBN fintech, a tendência provável é que esses atores se fundam à medida que a tecnologia se torna mais ubíqua e acessível. Há até mesmo exemplos desses desenvolvedores de projetos que vão mais além, desenvolvendo relações estreitas com soluções que fornecem operações de SBN, por exemplo, Renature e Propogate na agrofloresta.

Em resumo, os desenvolvedores de projetos continuarão a desempenhar um papel fundamental no crescimento do espaço das SBNs, permitindo que os produtores de SBNs tenham acesso ao nível certo de financiamento e conhecimento especializado para aumentar o impacto e atingir as metas de aquecimento global.

 

2. Quais são as principais conclusões sobre esse segmento no banco de dados?



Hoje adicionaremos 33 novas organizações ao banco de dados, representando o segmento de Desenvolvedores de Projetos de SBN (você pode acessar aqui).

Esse segmento representa 7.4% do banco de dados completo (400+ organizações) que a gente vai compartilhar durante as próximas semanas.

Alguns destaques que encontramos:

  • 67% das organizações desse segmento tem matriz no Brasil

  • 15% das organizações desse segmento são organizações sem fins lucrativos que oferecem projetos de alta integridade e promovem a elaboração de políticas positivas para o setor

  • 24% das organizações são desenvolvedores de projetos de SBN que oferecem serviços de reflorestamento e agrofloresta, indicando que há uma oportunidade de diversificação entre diferentes usos da terra

Exemplos de organizações brasileiras nesse segmento incluem: Belterra, Adapta Group, Systemica, CarboNext, Future Carbon, SOS Mata Atlantica, Floresta Viva

 

3. Visão de especialista - Um papo rápido com Valmir Ortega, Sócio @ Belterra



i) Qual é seu papel e experiência no mundo das SBN?

Eu tenho uma trajetória longa de atuação no setor ambiental. Trabalhei durante 12 anos na direção de órgãos ambientais e de meio ambiente e isso me trouxe para esse mundo que hoje chamamos de soluções baseadas na natureza.

Já tivemos nomes diferentes para esse mesmo tipo de busca que é de gerar soluções para a sociedade de problemas de externalidades negativas dos negócios da produção, da indústria e da agricultura, a partir de soluções naturais. Isso já foi chamado de infra-estrutura ambiental, infra-estrutura ecológica, baseado em ferramentas de economia verde.

Hoje o conceito de SBN se consolidou, principalmente olhando pros desafios climáticos de como garantir a redução das emissões e realizar ações de adaptação às mudanças climáticas que, inevitavelmente virão. Nesse contexto, algumas soluções baseadas na natureza serão mais eficientes em muitos casos e mais baratas em muitos outros.

O desafio passa por um largo espectro de problemas a serem solucionados: desde conter riscos de inundação da costa com soluções baseadas na natureza do ponto de vista de recompor manguezais, ou reestruturar a capacidade da vegetação da margem de rio ou litoral para conter essas alterações cíclicas, até processos mais sofisticados que olham para a purificação de água degradada, de resíduos, usando sistemas naturais e portanto imitando aquilo o que a natureza já faz. Mas agora em uma escala orientada para solução de problema.

Então é um pouco dessa trajetória de órgão ambiental, passei alguns anos pela Conservação Internacional, que é uma ONG que atua muito fortemente em conservação, que vem se posicionando em soluções baseadas na natureza e nos últimos anos com a criação da Belterra esse é o foco principal nosso.

Nós fundamos um negócio de impacto orientado a criar soluções para o desafio do desmatamento e do uso sustentável da terra no Brasil. Considerando que o desmatamento e uso de terra é o principal contribuinte no brasil para as nossas emissões, é nesse tema que a gente precisa focar se quisermos reduzir fortemente as emissões no Brasil e ter uma contribuição climática relevante pro planeta.


ii) Como você descreveria a proposta de valor do Belterra para alguém que é novo na indústria?

Nós temos uma proposta de valor orientada aos produtores, e entregamos uma capacidade de renovação de áreas degradadas, de reintegração de áreas produtivas, orientada para um processo regenerativo, baseada em agrofloresta e recomposição de serviços ecossistêmicos. Não se trata apenas de melhorar a capacidade produtiva do solo, mas melhorar a capacidade natural daquele eco-agro-sistema de produzir e regenerar os serviços ecossistêmicos.

O que a Belterra faz é implementar sistemas agroflorestais integrando três barreiras que impedem o que o agricultor faça isso sozinho: a) uma delas é acesso a conhecimento, b) outra é acesso a capital e c) outra é mercado para acesso dos produtos. Entregamos uma solução integral para os produtores, desde todo design do SAF e dos sistemas até a parte de estruturação do investimento. Nós assumimos toda parte de estruturação de investimento e toda parte de integração com off-takers, com compradores, agregando valor a esses produtos. Da ótica da indústria, dos off-takers, dos parceiros industriais, a Belterra funciona como um estruturador de cadeia sustentável, assegurando toda a rastreabilidade, toda a sustentabilidade da produção e ganhos de melhoria na qualidade dos produtos.

Na cadeia do Cacau, que é uma cadeia chave com a qual nós trabalhamos hoje, a gente já tem negociado com a indústria bônus de preço pelo Cacau, que é uma commodity, por qualidade, por rastreabilidade e por sustentabilidade. Entregamos um valor tanto para o produtor, do ponto de vista de recuperar áreas e gerar valor para áreas que estejam em baixa produtividade ou se degradando mas também para a indústria ao estruturar cadeias sustentáveis e rastreáveis para produtos de agricultura regenerativa.


iii) Quais são os números ou insights de mercado que te animam no espaço das SBN?

O campo de aplicação das soluções é tão gigantesco que poderíamos dizer que existem alguns mercados em formação que abrirão novas oportunidades para soluções baseadas na natureza.

No nosso caso em particular, estamos olhando para um desafio que é recuperação de área degradada, recuperação de áreas com baixa capacidade produtiva, através de sistemas regenerativos , que sejam capazes de sequestrar carbono, estocar carbono, e recuperar serviços ecossistêmicos como a manutenção da biodiversidade, manutenção de água e qualidade do solo. Nesse caso estamos falando de diversos mercados potenciais. Desde o mercado de produto: Cacau, Açaí, Pupunha, etc, até mercado de serviços, serviços ecossistêmicos e serviços ambientais.

Olhando para o Brasil, nós temos mais de 80 milhões de hectares de pastagens degradadas (segundo o Embrapa). Estamos falando de praticamente 1/4 do Brasil em áreas de baixa produtividade, gerando pouca renda para os agricultores, e pior do que isso, degradando água, solo e biodiversidade com a fragmentação da paisagem. Portanto há uma oportunidade de re-incorporar essas áreas em um sistema produtivo sustentável e regenerativo.

Do lado dos potencias parceiros/clientes nós temos mais de 5 milhões de pequenos e médios agricultores que estão completamento desatendidos de assistência técnica, de crédito, de uma inserção adequada no mercado do ponto de vista de colocação de seus produtos a valor justo e portanto gerar serviços e oportunidades que integrem esses produtores de uma forma mais justa no mercado, que coloquem essas áreas que estão sendo degradadas para um potencial produtivo maior, eu diria que é um mercado certamente na casa dos bilhões de reais e dos milhões de hectares com o potencial de serem regenerados no Brasil.

Olhando para os produtos mais especificamente, estamos em um primeiro momento estudando vários produtos como âncora dos sistemas agroflorestais e o primeiro produto que estamos escalando é o cacau, que tem uma mega oportunidade no Brasil e no mundo. Há uma busca muito forte no mercado por cacau sustentável, e particularmente no caso do Brasil, nós somos importadores de cacau e exportadores de chocolate. Nós não somos capazes de produzir cacau nem para o nosso próprio mercado, e além disso importamos cacau para exportar chocolate. Então há uma oportunidade de escalar para algumas dezenas ou centenas de milhares de hectares de sistemas agroflorestais de cacau no Brasil só para abastecer o mercado interno e a capacidade de exportação que a nossa indústria de chocolate já tem.

Foi mirando nesse oportunidade que escolhemos o cacau como espécie âncora, mas estamos olhando para outras espécies, para outras cadeias. Olhando tanto para produtos da cadeia de cosméticos, como para cadeia de alimentos, de óleos e fibras, portanto há um mercado gigantesco a ser desenvolvido e explorado.


iv) Quais são as principais dificuldades ou gargalos que, se resolvidos, podem e têm contribuído para o crescimento das SBN?

Como eu havia comentado, há uma possibilidade gigantesca de aplicação das SBNs para diversas indústrias e para diversos tipos de problemas que nós precisamos enfrentar. Estamos falando de desde olhar para a indústria química, indústria de infra-estrutura, indústria urbanística de parques, imóveis e mobilidade, e para todos os outros segmentos existem possibilidades de gerar soluções baseadas na natureza.

Para o nosso caso particular, estamos olhando para SBNs no campo da mitigação climática e do uso do solo rural, do uso da terra. Nesse caso em particular, eu diria que os maiores desafios que nós enfrentamos no Brasil estão relacionados a posse da terra, sobretudo na Amazônia e algumas outras regiões do Brasil. Uma insegurança fundiária muito grande é uma barreira significativa quando você quer escalar modelos de negócio que dependem do acesso ao uso da terra.

Um segundo bloco de desafios, é que quando se olha para a gama de serviços de SBN, falamos de restauração, de sistemas agroflorestais, de reflorestamento com nativas, de plantios de arvores de uma forma geral, e nós olhamos para o uso dos produtos vindo desses plantios. Um desafio é desenvolver os mercados para essa diversidade imensa de produtos, porque agente não quer fomentar simplesmente monoculturas, de eucalipto, de pinus, que cumprem algumas funcionalidades climáticas, mas não cumpre de ponto de vista ambiental, de biodiversidade, de diversidade produtiva, de diversidade de paisagem, de um conjunto de outros serviços ecossistêmicos.

Portanto se nós estamos falando de restauração florestal, de restauração de nativas, de sistemas produtivos diversificados, regenerativos, estamos falando de uma multiplicidade de plantas e produtos que poderão ser produzidos e nesse caso em particular um desafio de desenvolvimento de mercado para esses produtos muito grande. Então eu diria que esse desenvolvimento de mercados para diversidade e não para monocultura é talvez hoje um dos grandes desafios para se pensar uma outra orientação para o uso do solo baseado em modelos produtivos mais regenerativos.


v) O que você diria para a comunidade NatureHub Brasil?

O principal recado para uma comunidade como a NatureHub que está se criando, é de que nós estamos apenas começando a desenvolver esses mercados. Para essa gama imensa de possibilidades de soluções baseadas na natureza que podem ser desenvolvidas, eu diria que, sobretudo para aquelas que dependem do uso de terra, de biodiversidade, de água e de outros sistemas naturais, o Brasil pode ser absolutamente competitivo globalmente para gerar soluções que sejam relevantes e ajudar a criar mercado para essas soluções em nível global.

Eu diria que nós temos uma oportunidade única no Brasil de capturar essa janela de oportunidade que está se desenvolvendo e se posicionar como um país que pode desenvolver soluções em larga escala, soluções que sejam de impacto global, e nos campos mais amplos possíveis de soluções que possamos desenvolver. Desde tratamento de resíduos, tratamento de água, purificação de sistemas degradados, recuperação de área degradada, agricultura regenerativa.

Há um campo imenso de soluções que nós podemos gerar e no Brasil nós temos uma plataforma, do ponto de vista das condições naturais e das condições de capacidade, de universidades, de comunidade técnico-científica, de empreendedores, de criar um ambiente forte de desenvolvimento de negócios de soluções baseadas na natureza. Portanto eu acho que criar comunidades como a NatureHub Brasil é fundamental para que troquemos aprendizados, acelere o ecossistema e crie um ambiente de interação entre os empreendedores que permita alavancar esse mercado e as oportunidades para uma escala realmente de impacto global, que é o que nós precisamos.


 

Esperamos que tenham gostado do novo segmento. Na próxima semana continuamos a jornada pela cadeia de valor das SBN!


💡Quer continuar aprendendo mais?💡

Acesse esse link para se inscrever e participar na experiência de 12 semanas que dará acesso a um banco de dados gratuito de mais de 400 organizações de SBN.

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