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Visão de Claudio Fernandes, fundador e CEO da Bio2Me: utilizando IA para identificar espécies nativas e promover práticas de cultivo sustentável.

"Sem absolutamente nenhuma crítica, acredito que exista uma errada forma de achar que apenas plantar árvore é um SBN. É muito mais que isso, não tem como não pensar em toda a biodiversidade animal e vegetal que habitam essas áreas."
Claudio Fernandes
Claudio Fernandes, Co-fundador e CEO da Bio2Me.

1. Qual é a sua formação e experiência em soluções baseadas na natureza (SBN)?


Bem, sou Engenheiro elétrico, com ênfase em sistemas e computação, atuando por 30 anos em TI. Durante 11 anos trabalhei na área de consultoria da HP, liderando uma prática de Transformação em Datacenters. Após 2018, criei uma consultoria que buscava apoiar executivos de tecnologia em suas jornadas de transformação digital.


Mas então como fui parar aqui, montando a Bio2Me em soluções baseadas na natureza. A estória começa em 2019 quando perdi meu pai e herdei uma fazenda em Luziânia-GO, fazenda essa que meu pai possuía desde 1980 e que não explorava nenhuma ação econômica, mas sim para lazer e contemplar o Cerrado em suas caminhadas. Com vários estímulos de vizinhos para criar gado, e abrir o Cerrado, para no mínimo vender melhor a fazenda, resolvi questionar o modelo, e quando descobri, ainda em 2019, ao acaso que possuía nativamente Baru por lá, o jogo começou a mudar.


Percebi neste momento que existia uma alternativa e assim começou minha paixão pelo Cerrado e meu desejo de mostrar ao mundo que é possível monetizar a conservação do Cerrado através do manejo sustentável de nativas, utilizadas na indústria alimentícia, farmacêutica e de cosméticos. Assim nasce a Bio2Me.


2. Como você descreveria a proposta de valor da sua organização para alguém novo no setor?


A frase que mais nos define é: Somos o Mato que é Agro. Nossa proposta de valor é gerar valor financeiro através da conservação de áreas no Cerrado. O que para muitos é custo ou improdutivo, para a Bio2me é oportunidade de geração de receita. Buscamos operar fazendas preservadas ou degradadas para restauração, cada uma delas tem suas vantagens e desvantagens. Visamos valor econômico em tudo o que for possível, sendo nossa principal bandeira o manejo sustentável de nativas, dentre as mais conhecidas o Baru, Fava d´anta, Pequi, Jatobá e a Baunilha do Cerrado.


Claro que Crédito de Carbono e Pagamento por serviços ambientais estão fortemente no jogo. Existem ainda muitas outras oportunidades que não estavam sendo observadas como negócio e essa foi a visão que  tivemos para ocupar um espaço ainda inexplorado aqui no Brasil.


3. Quais são os números ou insights de mercado que mais te animam no espaço de SBN?


Esse é um dos mercados mais promissores do mundo, com uma taxa de crescimento (CAGR) de 8% ao ano – e ainda pouco explorado no Brasil.


Representa um mercado de US$ 186 bilhões totalmente inexplorado.  E hoje existem 651 milhões de hectares preservados ou considerados improdutivos no Brasil. Isso é equivalente a mais da metade do nosso território


Acredito que esse seja um bom slide para exemplificar.


4. Quais são as principais dificuldades ou travas que, se resolvidas, podem e têm contribuído para o crescimento das SBN?


Eu vejo algumas grandes dificuldades. Primeiro é preciso quebrar a visão romântica. É fundamental a geração de valor econômico de forma sustentável sob a ótica financeira. Não é um simples extrativismo, é manejo sustentável. Trazer tecnologia, ciência, pesquisa, educação ambiental e certificações para esse jogo. Para isso é preciso tempo e principalmente quebrar paradigmas e pré-conceitos formados em todos os lados. Mas aqui é o negócio. Organização,  governança, processos, pessoas e ferramentas para um universo por natureza e histórico desestruturado e disperso. Estruturação é a chave.


Aqui nasce o outro desafio, buscar investimentos para esse novo mundo, embrionário, onde ainda existem falta de cases, históricos de sucesso e muita confusão nos entendimentos de conceitos. É preciso quebrar essa barreira do novo e do desconhecido, mas a agenda de alteração climática tem ajudado neste ponto. Um olhar diferente vem surgindo no mundo de investimentos. Sem dúvida o momento chegou, é agora. O mundo corporativo e financeiro começou a perceber isso. Quem estiver com boas ideias, disposto a sujar o pé na lama e comer poeira vai surfar essa onda.


5. Você pode ajudar a esclarecer ou contextualizar uma palavra/conceito no espaço SBN que você acha que é frequentemente mal compreendido?


Sem absolutamente nenhuma crítica, acredito que exista uma errada forma de achar que apenas plantar árvore é um SBN. É muito mais que isso, não tem como não pensar em toda a biodiversidade animal e vegetal que habitam essas áreas. Também não é possível abstrair as comunidades, as pessoas locais e tradicionais. Elas são fundamentais para manter o todo o ecossistema funcionando e poucos perceberam isso. Não dá para esperar uma ação pública é preciso a iniciativa privada se juntar e buscar caminhos.


6. O que você gostaria de compartilhar com a comunidade NatureHub Brasil?


SBN são ações de longa duração, é preciso ter estratégias de curto, médio e longo prazo bem desenhadas para equilibrar todos esses vetores: Financeiro, Investidores, Meio Ambiente, Agronegócio, Grandes Empresas com suas Agendas ESG, Comunidades e esse novo ator “Crédito de Carbono”. O grande desafio é a grande oportunidade. Usar metodologias, processos e tecnologia para MEDIAR todos esses diferentes interesses que muitas vezes são conflitantes entre si. Montar um time maduro e com múltiplas habilidades, sem dúvida é a chave para ter mais chance nessa missão.


 
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