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Visão de Claudio Rocha Bastos, fundador e CEO da TOCO Engenharia: produção de tubetes biodegradáveis para o mercado agroflorestal.

"Nosso estímulo é trazer para mercado uma solução baseada na natureza que produz efetivos ganhos ambientais e de produtividade dentro da cadeia produtiva agroflorestal."
Claudio Rocha Bastos
Claudio Rocha Bastos, fundador da Toco Engenharia.

1. Qual é a sua formação e experiência em soluções baseadas na natureza (SBN)?


Defino-me como um Engenheiro por formação e Empreendedor por vocação. Como engenheiro, comecei na área técnica, cresci como executivo e consolidei-me como consultor. Como empreendedor, transformei em realidade a minha inquietude, o pensar “fora da caixa” e a vontade de criar algo novo.


Se na fase engenheiro/executivo/consultor dialoguei com mundo da tecnologia, no ciclo empreendedor conectei-me ao universo da inovação e sustentabilidade. E, neste último, me encontrei ao fundar duas startups (CBPAK Tecnologia e TOCO Engenharia e Inovação Ambiental), com produtos e soluções baseadas na natureza e alinhadas aos princípios da Economia Circular.


2. Como você descreveria a proposta de valor da sua organização para alguém novo no setor?


A TOCO se propõe a desenvolver tecnologias inovadoras em produtos sustentáveis. Como primeira iniciativa, desenvolveu um recipiente biodegradável, denominado BIOTOCO, voltado para o mercado agroflorestal. Produzido a partir de um material descartado pela indústria cervejeira (bagaço de malte), representa uma solução de alta produtividade com baixo impacto ambiental na cadeia de plantio de mudas florestais.


Nossa proposta de valor é oferecer “inteligência” a um produto “comoditado”, com destaque para os seguintes atributos: (i) redução das emissões de GEE; (ii) redução do tempo de viveiro ou, em algumas espécies de mudas, a sua eliminação através do plantio direto no solo; (iii) melhora da qualidade da muda; (iv) utilização de material descartado como matéria-prima; (v) biomimética no design do produto; (vi) redução de mão-de-obra no ciclo produtivo atual.


Estes atributos monetizados se traduzem em uma maior produtividade e ecoefetividade, dentro da lógica do desperdício zero. Em resumo, um caso clássico de SBN e Economia Circular.


3. Quais são os números ou insights de mercado que mais te animam no espaço de SBN?


Nosso estímulo é trazer para mercado uma solução baseada na natureza que produz efetivos ganhos ambientais e de produtividade dentro da cadeia produtiva agroflorestal. Revela-se uma proposta sustentável e inovadora que substitui o atual e principal insumo utilizado pelo mercado: recipiente de origem fóssil (tubetes de plástico). Comunga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e os princípios da Economia Circular.


Mais do que isto, estamos diante de um mercado promissor. Seja na demanda crescente por plantio e recuperação de florestas em diversas regiões, seja pela necessidade da indústria cervejeira de gerir de forma adequada e com a geração de maior valor o expressivo volume de resíduo produzido (no qual se inclui o bagaço de malte). Valemo-nos destas duas pontas, na produção e venda de nosso produto sustentável e inovador.


4. Quais são as principais dificuldades ou travas que, se resolvidas, podem e têm contribuído para o crescimento das SBN?


De que as mudanças climáticas não são episódicas ou cíclicas, mas um fenômeno real e preocupante, que exigirá um esforço real e grandioso para contê-lo, mitigá-lo e revertê-lo. Se de um lado, cresce a consciência de que a SBN é uma solução capaz de efetivamente ajudar neste processo, de outro lado, o processo tem se revelado lento e pequeno face a gravidade do problema. Portanto, a maior dificuldade é sensibilizar a sociedade, sem alarmismo, com fundamentação técnica e soluções práticas atreladas, que o problema é sério, mas pode ser bem gerido. O maior gargalo é aglutinar os tomadores de decisão públicos e privados em torno da urgência e da definição de uma pauta de medidas a serem implantadas. Neste contexto, a SBN ganha destaque e importância.


5. Você pode ajudar a esclarecer ou contextualizar uma palavra/conceito no espaço SBN que você acha que é frequentemente mal compreendido?


Penso que os conceitos de SBN e Economia Circular não sejam compreendidos na sua integralidade e correta dimensão. Assim como, tais conceitos não estão difundidos em toda a sociedade, incluindo os tomadores de decisão privados e públicos.


Portanto, podemos estar diante de um cenário no qual avanços não são obtidos pelo simples fato de que tais conceitos não são plena e completamente entendidos. Ou melhor, os avanços têm se revelados, no meu entendimento, lentos, difusos e menores do que a sociedade e o mundo atual exigem.


6. O que você gostaria de compartilhar com a comunidade NatureHub Brasil?


Gostaria de compartilhar com esta comunidade a ideia de que temos que nos unir para educar a sociedade, notadamente os mais jovens e os tomadores de decisão públicos/privados, para o significado e importância da SBN e da Economia Circular. Para quebrar o desconhecimento e os paradigmas existentes sobre o assunto, somente com uma estratégia, um discurso e um programa bem estruturado, inteligente e replicável de EDUCAÇÃO, que progressivamente mude a realidade atual e nos conduza a um futuro mais sustentável.


 
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