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Visão de Hannah Simmons, fundadora e CEO da ERA: Construindo uma nova ERA de regeneração de ecossistemas.

Updated: Jun 13

"Se eu tivesse uma varinha mágica, faria com que todas as empresas do setor privado entendessem o "business case” para investir na natureza e definissem metas alinhadas com o TNFD e o SBTN."
Hannah Simmons
Hannah Simmons, fundadora e CEO da ERA

1. Qual é a sua formação e experiência em soluções baseadas na natureza (SBN)?


Minha carreira com a NBS começou cedo, quando eu tinha 17 anos. Eu estagiei na empresa de restauração do meu pai em Vancouver, Canadá. Trabalhei no viveiro de árvores plantando pequenas mudas o dia todo para o primeiro programa de restauração de ecossistemas comunitários da Colúmbia Britânica, financiado por carbono. Crescer na região prístina do noroeste do Pacífico, conhecido como “rainforest”, foi uma bênção, pois pude me conectar com o mar, as montanhas, os rios, a vida selvagem, e isso contribuiu para minha paixão e motivação para cuidar da nossa mãe terra. Meu pai é minha

inspiração e meu mentor. Suas empresas já plantaram mais de 100 milhões de árvores e implementaram um dos primeiros projetos REDD+ na República Democrática do Congo, Mai Ndombe.


Depois, aprofundei meu conhecimento e recebi um Bacharelado em Ciências da Escola de Meio Ambiente da McGill, em Montreal. Foi uma educação incrível porque fomos convidados a estudar o colapso ambiental e as soluções para um futuro sustentável de várias perspectivas, como sistemas terrestres, geologia, geografia, saúde, psicologia, sistemas alimentares, gestão adaptativa e economia. Problemas complexos requerem um pensamento holístico e sistêmico.


2. Como você descreveria a proposta de valor da sua organização para alguém novo no setor?


A Ecosystem Regeneration Associates (ERA) é uma desenvolvedora de projetos NBS liderada por mulheres, focada na conservação e restauração do bioma Cerrado e Pantanal. Através da aplicação de metodologias e do processo de auditoria, a ERA transforma os resultados monitorados em ativos financeiros. Esses resultados monitorados são desmatamento evitado, habitat protegido, mulheres educadas e empoderadas e sistemas agroflorestais implementados. Conservar e restaurar a natureza são duas maneiras-chave de abordar a diminuição da biodiversidade, apoiar a mitigação e resiliência climática e contribuir para o desenvolvimento humano sustentável.


Oferecemos créditos de carbono, créditos de biodiversidade e créditos de empoderamento feminino de alta integridade e qualidade para empresas que têm compromissos de ESG tais como emissões de GEE zero líquido (ODS 13), biodiversidade e habitat (ODS 15) e igualdade de gênero (ODS 5).


A ERA acredita que devemos ir "além do carbono" e aproveitar o poder do setor privado para canalizar mais financiamento para a conservação da biodiversidade e o empoderamento feminino, ambos ingredientes-chave para resolver os problemas mais críticos que a humanidade enfrenta. A ERA desenvolveu uma estrutura de nível de paisagem com três vertentes que integra pagamentos por serviços ambientais (carbono + biodiversidade) e desenvolvimento sustentável comunitário através da capacitação e financiamento de SAFs (sistemas agroflorestais).


3. Quais são os números ou insights de mercado que mais te animam no espaço de SBN?


A degradação ambiental está ocorrendo em escala global a uma velocidade sem precedentes, acarretando implicações profundas tanto para a fauna e flora quanto para a sociedade. O Relatório Planeta Vivo 2022 do WWF mostrou quedas contínuas em florestas primárias, recifes de coral, populações de espécies, qualidade do solo e zonas úmidas nos últimos 50 anos. O Índice Planeta Vivo – uma medida da abundância relativa das espécies – mostrou uma queda de 69% nesse período. Um milhão de espécies animais e vegetais estão agora ameaçadas de extinção, de acordo com um estudo da IPBES (2019), mais do que nunca na história humana.


Há uma clara urgência de investir na conservação da biodiversidade, restauração e gestão sustentável, no entanto, os fluxos financeiros atuais são insuficientes para sustentar a natureza e todos que dependem dela. O déficit de financiamento estimado para a biodiversidade é de US$ 700 bilhões por ano. Esse valor é alarmante para mim, mas também oferece uma oportunidade empolgante para construir metodologias inovadoras, modelos de negócios e mercados para fechar essa lacuna e canalizar mais financiamento para as Soluções Baseadas na Natureza (NBS).


A ERA acredita que os créditos de biodiversidade podem desempenhar um papel crucial no fechamento dessa lacuna, com políticas e regulamentos aumentados para estimular os compromissos e ações do setor privado. O mercado de créditos de biodiversidade ainda está em um estágio muito inicial, mas oferece um instrumento convincente para financiar resultados positivos para a natureza. De acordo com um relatório do Fórum Econômico Mundial, a demanda global por créditos de biodiversidade pode chegar a US$ 2 bilhões em 2030 e impressionantes US$ 69 bilhões em 2050.


4. Quais são as principais dificuldades ou travas que, se resolvidas, podem e têm contribuído para o crescimento das SBN?


Acho que o grande desafio é como vamos fechar essa lacuna de financiamento para a natureza numa velocidade rápida para conservar o habitat e a diversidade de espécies restante e restaurar a natureza da qual dependemos para a humanidade prosperar. É um imperativo estratégico para as empresas demonstrarem alinhamento com a transição para uma economia positiva para a natureza até 2030. As empresas estão enfrentando uma pressão crescente dos “stakeholders e shareholders” para divulgar seus impactos e dependências da natureza, e os riscos associados relacionados à natureza, e definir metas que lhes permitam demonstrar sua contribuição para as metas globais e nacionais para a natureza.


Se eu tivesse uma varinha mágica, faria com que todas as empresas do setor privado entendessem o “business case” para investir na natureza e definissem metas alinhadas com o TNFD e o SBTN. No meu ver, o “business case” para investir na biodiversidade de forma voluntária permitirá que as empresas demonstrem:


1. Mitigação de riscos e criação de valor: mitigando sua exposição aos riscos relacionados à natureza e criando valor de acordo com a estrutura da Força-Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas à Natureza (TNFD); e


2. Contribuição para as metas de natureza: contribuindo para a transição positiva para a natureza em linha com a hierarquia de mitigação da Science Based Targets Network (SBTN) e/ou metas globais e nacionais sob a Estrutura Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal (GBF).


Precisamos urgentemente direcionar financiamento para comunidades, grupos indígenas e projetos que estão trabalhando (grandes ou pequenos) na linha de frente. Os investidores precisam adaptar seus critérios de financiamento para alinhar-se com as realidades dos projetos de natureza. Talvez os ROIs não sejam de 20-30% e os períodos de retorno sejam de 15-20 anos, e isso precisa ser aceitável. Há magia em projetos autênticos, conduzidos localmente e em pequena escala, que realmente impactam as pessoas e a natureza. Os investidores querem grande, mas O Pequeno é Belo // Small is Beautiful (também o nome de um dos meus livros favoritos de Satish Kumar).


Devemos nos concentrar em capacitar novos empreendedores de SBN para construir seus próprios projetos e operar nesses mercados em crescimento, criando ilhas de mudança que irão se espalhar e criar grandes ondas de transformação. É por isso que estou tão entusiasmada com esta comunidade Nature Hub e acredito fortemente no poder da colaboração, compartilhando lições aprendidas e amplificando a voz daqueles que realmente estão fazendo o trabalho real e difícil no campo.


5. Você pode ajudar a esclarecer ou contextualizar uma palavra/conceito no espaço SBN que você acha que é frequentemente mal compreendido?


Acredito que há um equívoco em torno da definição de créditos de biodiversidade. Na ERA, apoiamos a ideia de que os créditos de biodiversidade não devem ser usados como créditos de carbono, ou seja, para "compensar" uma emissão ou ação negativa que uma empresa gerou. Os créditos de biodiversidade surgem como uma solução inovadora para incentivar a conservação da biodiversidade. Esses créditos são unidades mensuráveis e rastreáveis de biodiversidade geradas por meio de ações concretas de conservação verificadas por metodologias específicas, como a “Biodiversity Stewardship Credit Methodology” desenvolvida pela ERA em colaboração com a Regen Network.


É importante destacar que os créditos de biodiversidade vão além da noção tradicional de compensação ambiental, bem conhecida no mercado de créditos de carbono. Adquirir créditos de biodiversidade significa participar ativamente na conservação ou recuperação de habitats, promovendo projetos que oferecem um impacto líquido positivo na biodiversidade. Isso é um passo em direção a uma relação mais harmoniosa e sustentável com o nosso planeta, marcando uma nova era no financiamento da conservação focado em melhorar a biodiversidade, não em compensar danos.


Há um amplo consenso de que os créditos de biodiversidade não devem ser usados como uma forma de evitar a hierarquia de mitigação. Isso ocorre porque eles são gerados independentemente das perdas ou impactos causados por uma empresa/projeto específico, ou seja, não são projetados para compensar danos ambientais.


Além disso, ao contrário das metodologias tradicionais de carbono baseadas em resultados, a Metodologia de Biodiversidade da ERA é baseada em práticas, desenvolvida sob a égide da gestão ambiental. Nesta abordagem, o preço dos créditos é determinado pelo custo real de implementação de práticas de regeneração/conservação do ecossistema.


Em outras palavras, a questão é quanto custa implementar uma prática, não quanto um serviço ecossistêmico específico vale para os humanos ou para os mercados financeiros, porque o valor da biodiversidade é imensurável! Isso muda o foco de "incentivar" através do lucro para "apoiar" práticas regenerativas, evitando assim a mercantilização da natureza.


6. O que você gostaria de compartilhar com a comunidade NatureHub Brasil?


Gostaria de convidar os membros da comunidade do Nature Hub para se juntarem a nós na construção do primeiro mercado de créditos de biodiversidade do Brasil.


Estamos procurando compradores corporativos interessados em desenvolver sua estratégia ESG positiva para a natureza para se juntarem a nós e participarem do nosso clube de Gestão da Biodiversidade. Esse clube reunirá pessoas e empresas que vão impulsionar o mercado da biodiversidade no Brasil.


No dia 18 de junho em São Paulo, teremos um encontro de divulgação e lançamento dos primeiros créditos de biodiversidade no Brasil, de um projeto piloto no Pantanal, e o clube dos guardiões fará parte desse momento exclusivo.


Entre em contato para saber mais!


 
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